Queda de juros e capital global ocioso colocam o País no radar de Wall Street
Bank of America (BofA) — Em plena reaproximação dos EUA com a América Latina, o banco projeta que o Brasil pode se tornar o principal destino de recursos entre emergentes, exceto China, impulsionando o fluxo de dólares para a B3 nos próximos trimestres.
- Em resumo: há US$ 8 tri em fundos de renda fixa norte-americanos e outros US$ 96 bi já migrando para emergentes fora da China — parte desse montante pode desembarcar aqui.
Capital represado pronto para ganhar velocidade
Só nos Estados Unidos, os money market funds concentram volume recorde de recursos, segundo levantamento do banco. De acordo com dados compilados pela Reuters, liquidez semelhante não era vista desde 2020, o que amplia a pressão por retornos mais altos fora do eixo desenvolvido.
“Minha visão é que o Brasil pode acabar sendo o principal emerging market, excluindo a China, nessa próxima fase”, disse Augusto Urmeneta, presidente do BofA para a América Latina.
Por que o investidor ainda hesita?
Mesmo com fundamento robusto, empresas de tecnologia listadas na região acumulam queda de 17% no ano, reflexo da preferência global por papéis ligados à inteligência artificial e da baixa liquidez em boa parte das ações brasileiras. O cenário tende a mudar quando a Selic — hoje um dos maiores juros reais do mundo — começar a recuar de forma consistente, movimento que abriria espaço para IPOs e retomada do fluxo local.
Como isso afeta o seu bolso? Uma eventual migração de parte dos US$ 96 bi para a bolsa brasileira pode destravar valuations e acelerar dividendos. Para acompanhar cada passo dessa virada, acesse nossa editoria de Mercado e Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / Bank of America