Dependência europeia expõe indústria a choques de preços e oferta
European Union Institute for Security Studies (EUISS) – Em relatório divulgado recentemente, o think tank detalha como a China converteu sua supremacia no refino de terras raras, gálio e germânio em arma geoeconômica, elevando custos e incertezas para fabricantes europeus de chips, eólicas e equipamentos militares.
- Em resumo: Pequim domina 70% do refino da metade dos 34 insumos críticos da UE e chega a 98% em terras raras pesadas.
- Desde 2025, cortes de exportação já inflaram preços de ímãs permanentes e wafers semicondutores.
Refino concentrado dá poder de preço a Pequim
O gargalo está na etapa de purificação, onde a China concentra mais de 74% da capacidade global, segundo o EUISS. A situação lembra o embargo de 2010 contra o Japão, quando a cotação do óxido de neodímio saltou 600% em seis meses, prova de quão rápido choques de oferta podem repercutir nos balanços corporativos. Analistas ouvidos pela Reuters afirmam que a União Europeia ainda carece de incentivos robustos para desenvolver refino doméstico.
“Sem esses materiais refinados na China, parte importante das funções de Estado e da base industrial europeia simplesmente não funciona”, alerta o relatório do EUISS.
O que isso significa para investidores e governos
Apoiada por subsídios federais, Bruxelas lançou o Critical Raw Materials Act para estimular mineração e reciclagem internas, mas especialistas lembram que novos projetos podem levar 7-10 anos até a produção comercial – percurso longo diante da escalada de tarifas entre EUA e China prevista para 2025. Para proteger margens, empresas já revisam contratos de longo prazo e buscam fornecedores na Austrália e no Canadá.
Como isso afeta o seu bolso? Custos maiores em baterias, carros elétricos e eletrônicos tendem a ser repassados ao consumidor se não houver oferta alternativa. Para acompanhar avanços na agenda de segurança econômica, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters