Janela para reduzir custos de energia fecha a cada semana sem edital
Ministério de Minas e Energia (MME) – A indefinição sobre o primeiro leilão de sistemas de armazenamento em baterias, prometido inicialmente para abril, já alimenta rumores de “ano perdido” entre companhias de geração e grandes fabricantes.
- Em resumo: Sem diretrizes oficiais, contratos estimados em R$ 1,2 milhão por MW/ano ficam congelados e o setor teme impacto na conta de luz.
Mercado calcula seis meses de trâmites; relógio eleitoral corre
Tradicionalmente, o setor elétrico leva ao menos meio ano entre a publicação das regras e a assinatura dos contratos, como mostraram recentes certames analisados pela Reuters. Com a eleição presidencial no horizonte, qualquer atraso adicional empurra a licitação para 2025, cenário visto como “pouco exequível” por executivos.
“Há um risco real de que a promessa de realizar esse histórico primeiro leilão de baterias neste Governo não se concretize”, alerta Fábio Monteiro, diretor-executivo da ABSAE.
Por que a disputa é chave para tarifas e segurança energética?
O certame pretende suprir cerca de 2 GW reservados pelo Governo para cobrir o pico de demanda no início da noite, poupando o acionamento de térmicas mais caras contratadas a R$ 2,3 milhões por MW/ano no leilão de capacidade de março. Se sair do papel, o modelo de baterias pode cortar esse custo praticamente pela metade, segundo estimativas da associação do setor.
A hesitação envolve quem pagará a conta – a lei mais recente empurra o gasto apenas para geradores – e se haverá exigência de conteúdo local. Multinacionais como Tesla, BYD e Huawei, ao lado da brasileira WEG, miram fornecimentos bilionários, enquanto desenvolvedoras como AXIA, ISA e Engie aguardam sinal verde para fechar consórcios e buscar financiamento no BNDES.
Em mercados maduros, como Califórnia e Austrália, leilões de armazenamento aceleraram em meio à expansão solar e eólica, reduzindo o risco de blecautes e estabilizando tarifas. Repetir o movimento no Brasil dependerá do cronograma oficial nos próximos dias.
Como isso afeta o seu bolso? Um atraso prolongado pode manter térmicas mais caras na matriz e, consequentemente, pressionar a tarifa de energia residencial em 2025. Para acompanhar cada passo da disputa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Ministério de Minas e Energia