Preço recorde da iguaria expõe o “custo humano” da cadeia de suprimentos
ONU – Dados recentes sobre segurança alimentar mostram que a trufa do deserto, colhida no nordeste da Síria, saltou para US$ 50 o quilo, aproximando-se do valor de exportação de cafés especiais e cacau fino. O número atrai caçadores locais em meio a um cenário ainda marcado por minas terrestres e ataques de grupos dissidentes.
- Em resumo: a busca pela trufa virou fonte de renda rápida, mas já deixou feridos graves e veículos destruídos.
Demanda externa pressiona oferta e eleva prêmio de risco
Importadores da Turquia e do Golfo aumentaram pedidos após a última safra europeia frustrada, segundo levantamento da Reuters. Com a oferta síria restrita a poucas semanas de colheita, o valor de US$ 50/kg representa mais que o dobro do registrado há três anos.
“A gente vê as minas com os nossos próprios olhos… uma delas explodiu nossa caminhonete; agora meu braço está quebrado”, relata o caçador Hassan Al-Daham Al-Hassan, ferido durante a coleta.
Risco operacional eleva custo final da iguaria nos restaurantes
Especialistas em commodities explicam que compradores já embutem um “prêmio de insegurança” no contrato. Paralelamente, ONGs estimam que a Síria ainda tenha mais de 10 milhões de artefatos não detonados, forçando caçadores a operarem sem seguro nem equipamentos adequados. No mercado internacional, trufas italianas brancas chegaram a US$ 4 mil/kg em 2023, mas com logística muito menos perigosa – indicando espaço para valorização, caso a rota síria se torne minimamente segura.
Como isso afeta o seu bolso? Restaurantes de alta gastronomia tendem a repassar a alta ao consumidor já neste outono europeu. Para acompanhar outros desdobramentos econômicos da região, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Reprodução / DW