Rússia assume protagonismo e deixa Síria refém de novo tabuleiro energético
Governo da Síria – Dados compilados nesta quarta-feira mostram que a chegada de cerca de 60 mil barris diários de petróleo russo sustenta as refinarias locais e redefine o equilíbrio de poder no pós-guerra do país árabe.
- Em resumo: importações russas já respondem por 75% do petróleo que chega ao litoral sírio.
Oferta avança 75% e Irã perde espaço no cais de Baniyas
Levantamento da agência Reuters com plataformas de rastreio marítimo aponta salto de 75% nos envios russos de janeiro a abril. O volume é modesto frente às exportações globais de Moscou, mas decisivo para Damasco, cuja produção interna continua muito abaixo dos 100 mil barris/dia registrados antes da guerra civil.
A Rússia tornou-se o “fornecedor dominante” após a deposição de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, substituindo o Irã, parceiro estratégico ao longo de 14 anos de conflito.
Sanções suspensas, mas crédito ocidental ainda não chega
Mesmo após Estados Unidos e União Europeia terem encerrado décadas de sanções em 2024, bancos e tradings europeus seguem cautelosos. A falta de integração plena ao sistema financeiro global mantém Damasco dependente de acordos bilaterais com quem topa assumir risco logístico e político – caso de Moscou, que já opera duas bases militares no território sírio.
Historicamente, a Síria consumia perto de 150 mil barris/dia antes dos combates. Hoje, a lacuna entre oferta e demanda pressiona as contas públicas e sustenta inflação de dois dígitos nos combustíveis, segundo estimativas divulgadas por think tanks regionais.
Como isso afeta o seu bolso? Oscilações nas cotações do Brent tendem a responder a tensões logísticas no Mediterrâneo Oriental; investidores expostos a fundos de energia ou a ações de petroleiras devem acompanhar de perto esses gargalos. Para mais análises sobre choques de oferta e efeitos nos preços, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS