Tesouro prefixado é um título público do Tesouro Direto em que você conhece no momento da compra a taxa exata que vai receber, trava esse rendimento e sabe quanto terá no vencimento, independentemente do que acontecer com os juros depois. Se o título paga 12% ao ano e você o leva até o fim, são 12% ao ano, ponto. Essa previsibilidade total é o que atrai quem quer saber hoje quanto vai resgatar lá na frente, mas ela vem com um detalhe importante se você precisar vender antes do prazo.

Este guia explica o que é o Tesouro prefixado, como funciona a taxa travada, o efeito da marcação a mercado em quem vende antes do vencimento, a tributação e em que cenário esse título faz mais sentido na carteira.

O que é o Tesouro prefixado

O Tesouro prefixado é um dos títulos oferecidos no Tesouro Direto, o programa em que o investidor empresta dinheiro ao governo federal. O que o define é a palavra prefixado: a taxa de retorno é fixada no instante da compra e não muda até o vencimento. Você sabe, desde o primeiro dia, qual será o valor bruto a receber na data final.

Essa é a diferença central para os outros títulos do Tesouro. No Tesouro Selic e no Tesouro IPCA, o rendimento acompanha um indexador e varia ao longo do tempo. No prefixado, não há indexador: a taxa é um número fechado, o que torna o resultado final completamente previsível para quem segura o título até o fim.

Como funciona a taxa travada

Comprar um prefixado é como fechar um contrato de rendimento. Se você aplica em um título que paga 12% ao ano com vencimento em 2030, está garantindo essa taxa sobre o valor investido até lá, não importa se a Selic subir para 15% ou cair para 8% no meio do caminho. É uma aposta na direção dos juros: o prefixado brilha quando você acredita que as taxas vão cair.

O raciocínio é simples. Se você travou 12% e a taxa básica de juros depois despencar, o seu título continuará pagando os 12% combinados, acima do que o mercado passou a oferecer. Por outro lado, se os juros subirem muito, você ficará preso a uma taxa que virou baixa perto das novas. Por isso o momento da compra importa tanto.

Gráfico de linha com altos e baixos ao lado de moedas de real e um título enrolado, representando a marcação a mercado

O efeito da marcação a mercado

Aqui mora o detalhe que surpreende muita gente. A taxa travada só é garantida se você levar o título até o vencimento. Se precisar vender antes, o preço de venda oscila conforme os juros do dia, um mecanismo chamado marcação a mercado. E o movimento é contraintuitivo.

Quando os juros do mercado sobem, o preço do seu prefixado cai, e vender naquele momento pode significar prejuízo, mesmo em um título do governo. Quando os juros caem, acontece o contrário: o preço sobe e é possível vender com lucro antes do prazo. A tabela resume os dois cenários.

SituaçãoSe levar até o vencimentoSe vender antes
Juros do mercado sobemRecebe a taxa combinadaPreço cai, risco de prejuízo
Juros do mercado caemRecebe a taxa combinadaPreço sobe, chance de lucro

A lição prática é alinhar o vencimento do título ao seu objetivo. Se o dinheiro é para uma meta em 2030, escolha um prefixado que vence por volta de 2030 e ignore as oscilações do meio do caminho. O prefixado não é o lugar da reserva de emergência, que precisa de liquidez e estabilidade de preço.

Tributação e quando o prefixado vale a pena

O Tesouro prefixado segue a tabela regressiva do Imposto de Renda, como boa parte da renda fixa: a alíquota cai de 22,5% para até 180 dias até 15% para prazos acima de dois anos, descontada apenas no resgate. Há também uma pequena taxa de custódia da bolsa sobre o valor investido, cobrada semestralmente.

O prefixado faz mais sentido quando você tem um objetivo com data definida e acredita que os juros estão em um pico, prestes a cair. Travar uma taxa alta nesse momento garante um rendimento gordo por anos. Em cenários de juros em alta ou muito incertos, muitos investidores preferem o pós-fixado ou o híbrido, deixando o prefixado para uma fatia da carteira.

Perguntas frequentes sobre o Tesouro prefixado

O Tesouro prefixado pode dar prejuízo?

Se levado até o vencimento, não: você recebe exatamente a taxa combinada. O prejuízo só é possível se você vender o título antes do prazo em um momento em que os juros do mercado subiram, por causa da marcação a mercado que derruba o preço de venda.

Calendário com uma data futura circulada ao lado de um pote de moedas de real com cadeado, representando o prazo de vencimento

Qual a diferença entre Tesouro prefixado e Tesouro Selic?

No prefixado a taxa é fechada na compra e não muda. No Tesouro Selic o rendimento acompanha a taxa básica de juros, variando ao longo do tempo. O prefixado é mais previsível no vencimento, enquanto o Selic é mais estável de preço e indicado para a reserva.

Quando vale a pena comprar Tesouro prefixado?

Costuma valer quando você tem um objetivo com prazo definido e acredita que os juros estão altos e tendem a cair. Travar uma taxa elevada nesse cenário garante bom rendimento por anos, desde que você consiga manter o título até o vencimento.

Dá para resgatar o Tesouro prefixado quando quiser?

Dá, porque o Tesouro garante a recompra diária. Mas o preço do resgate antecipado segue a marcação a mercado e pode ser maior ou menor que o esperado. Por isso o ideal é alinhar o vencimento ao prazo do seu objetivo e evitar vender antes.

O lugar do Tesouro prefixado na carteira

O Tesouro prefixado é a escolha de quem quer certeza sobre o valor final e aposta que os juros vão cair, aceitando em troca o sobe e desce do preço no meio do caminho. Usado com o vencimento casado ao objetivo, ele entrega previsibilidade rara em investimentos; usado sem esse cuidado, pode frustrar quem precisa vender na hora errada. O portal oficial do Tesouro Direto traz os títulos disponíveis e suas taxas atualizadas. Entender o prefixado completa o trio do Tesouro e dá a você o controle para escolher o título certo para cada meta, em vez de comprar no escuro.

Conteúdo informativo e educacional, sem recomendação de investimento. Avalie seu perfil e seus objetivos antes de investir.