Reembolso bilionário à vista pode mudar jogo para a fabricante gaúcha
Taurus Armas (TASA4) informou, em balanço divulgado recentemente, um prejuízo líquido de R$ 36,6 milhões no primeiro trimestre, revertendo o lucro de R$ 18,6 milhões de um ano antes – golpe direto da tarifa de 50% sobre armas imposta pelos Estados Unidos, seu maior mercado.
- Em resumo: impacto cambial e tarifa elevada geram Ebitda negativo de R$ 20,1 milhões; empresa espera recuperar US$ 18 mi pagos a mais.
- Alerta: receita quase estável em R$ 355 mi, mas custo do produto vendido saltou 8%.
Tarifa suspensa, mas danos ainda pesam no balanço
Embora a Suprema Corte norte-americana tenha derrubado a sobretaxa em fevereiro, o valor extra já desembolsado pressiona o caixa. De acordo com dados compilados pela Reuters, o mercado norte-americano responde por mais de 70% das vendas da fabricante brasileira, o que amplia a sensibilidade a mudanças regulatórias.
“A revisão judicial da política tarifária possibilitará a devolução da totalidade dos valores pagos a maior ao longo do período anterior, estimados, em nosso caso, em cerca de US$ 18 milhões”, destacou a companhia no relatório.
Custos em alta e produção migrando para os EUA
O trimestre também foi marcado pela primeira vez em que a Taurus montou mais armas em sua planta da Geórgia do que no Rio Grande do Sul, movimento que reduz exposição cambial, mas eleva despesas operacionais, hoje 15,4% maiores (R$ 135,5 milhões). Historicamente, o setor de defesa costuma repassar custos ao consumidor, porém a concorrência interna nos EUA limita esse repasse e pressiona margens.
Além disso, a carteira de pedidos fechou março em cerca de US$ 100 milhões, sinalizando retomada gradual da demanda. Para investidores, o eventual reembolso dos US$ 18 milhões pode aliviar o capital de giro justamente quando o ciclo de juros altos nos EUA encarece linhas de crédito corporativas.
Como isso afeta o seu bolso? A devolução dos valores e a recuperação da demanda podem reacender o interesse pelo papel TASA4, mas a volatilidade regulatória nos EUA segue no radar. Quer acompanhar cada movimento das ações de defesa? Acesse nossa editoria de Mercado e Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / Taurus