Proibição atinge plataformas que unem probabilidade a investimento e reacende comparação com apostas
Conselho Monetário Nacional (CMN) – Ao vetar, no fim de abril, os mercados preditivos ligados a esportes, eleições e outros eventos reais, o órgão impôs um freio imediato a um nicho que prometia diversificar fontes de renda e informação para investidores brasileiros.
- Em resumo: CMN proibiu contratos binários em eventos reais; B3 e XP buscam brecha com produtos restritos a profissionais.
Debate no SPIW expõe disputa entre inovação e regulação
Durante o São Paulo Innovation Week, especialistas classificaram o veto como “retrocesso”, enquanto alertaram que, nos Estados Unidos, a modalidade cresce apesar de questionamentos judiciais, segundo a Reuters.
“Investimentos sempre têm algum grau de aposta. O que muda é o limite imposto pela regulação”, afirmou João Accioly, presidente interino da CVM.
Davi Cardoso, da Triad Markets, reforçou que, diferentemente das casas de bet — em que a empresa define as odds —, nos mercados preditivos o preço nasce da negociação entre participantes, sem margem pré-fixada.
Contratos de eventos da B3 viram única porta de entrada local
Em abril, a B3 lançou contratos fixos atrelados a Ibovespa, dólar e bitcoin. Autorizados só para investidores com mais de R$ 10 milhões ou certificação técnica, esses derivativos limitam perdas ao valor aportado e não permitem alavancagem, modelo semelhante ao da plataforma americana Kalshi — parceira da XP para clientes internacionais da corretora Clear, que publica tutoriais sobre o tema em transmissões no YouTube.
Historicamente, mercados de previsão ganharam impulso nos anos 1990, quando a Universidade de Iowa mostrou que consensos de apostas podiam superar pesquisas de opinião. Essa eficiência levou até o Federal Reserve a estudar seu uso em políticas públicas neste ano.
Como isso afeta o seu bolso? Sem a modalidade aberta ao varejo, investidores perdem um instrumento de hedge barato e de leitura rápida de expectativas. Para acompanhar alternativas reguladas, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / São Paulo Innovation Week