Balanços de 1T26 escancaram seletividade brutal no mercado de crédito
Banco Central do Brasil – Com a taxa Selic estacionada em 14,5% desde 2024, a combinação de juros altos e resgates bilionários de fundos de crédito chegou aos números das companhias abertas no 1T26, acendendo alerta para quem carrega debêntures na carteira.
- Em resumo: a cobertura de juros das 200 empresas monitoradas pelo Bradesco BBI caiu ao menor nível em quatro trimestres.
Quando o serviço da dívida vira vilão
A pressão financeira ficou evidente em setores sensíveis ao ciclo doméstico. A Coruripe, por exemplo, viu o Ebitda despencar quase 47%, enquanto o custo da dívida disparou 55,9%, gerando R$ 1,7 bilhão de vencimentos de curto prazo. Já o Assaí optou por recomprar até R$ 200 milhões em debêntures, movimento bem recebido por analistas por reduzir alavancagem.
Dados do Relatório de Estabilidade Financeira mostram que spreads médios para emissões corporativas avançam desde 2023, refletindo o ambiente de risco.
“Os resultados indicam a resiliência do perfil de crédito do Assaí, mesmo em um contexto operacional mais desafiador”, destaca o Itaú BBA no pós-balanço.
Quem surfa o juro alto – e por quê
Empresas dolarizadas ou com contratos regulados apresentaram blindagem natural. A Petrobras entregou R$ 61,7 bilhões de Ebitda com spreads de bonds praticamente colados ao risco soberano. Na indústria, a Gerdau surpreendeu: Ebitda 25% maior que o trimestre anterior e alavancagem em apenas 0,74 vez, graças ao controle rígido de custos.
Historicamente, papéis de companhias com geração de caixa previsível costumam ter menor volatilidade de preço em ciclos de aperto monetário, como sugere a série de default corporativo da B3 desde 2016.
Como isso afeta o seu bolso? A disparidade de fundamentos torna indispensável olhar além do cupom da debênture: qualidade do fluxo de caixa e cronograma de vencimentos viram filtros críticos. Para aprofundar estratégias em renda fixa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Assaí