Alta no crédito agro força banco a rever risco e cortar apetite no campo
Caixa Econômica Federal — Na divulgação do balanço do 1º trimestre, o banco avisou que a inadimplência no agronegócio, já em 18,29%, deve consumir ainda mais provisões ao longo de 2026, apesar de carteiras imobiliária e comercial estarem sob controle.
- Em resumo: provisões dobram de ritmo e podem encurtar margem de lucro caso o atraso no agro não recue.
Por que o agro virou o ponto cego do portfólio?
A fatia rural representa apenas 5% da carteira total, mas, com atraso acima de 90 dias saltando de 14,09% para 18,29% em um trimestre, o segmento exige reforço contábil imediato. Segundo dados compilados pela Reuters, o avanço dos pedidos de recuperação judicial de produtores pressiona todo o sistema financeiro.
“Temos expectativa de novos impactos na provisão ligados ao agro ainda neste ano”, afirmou Henriete Sartori, vice-presidente de Riscos da Caixa.
Impacto nas margens e no cenário macro
O banco desembolsou R$ 6,51 bilhões em provisões no trimestre, alta de 21,7% frente ao fim de 2025. Embora o índice geral de inadimplência tenha subido para 3,71%, o salto concentrado no agro acende alerta porque ocorre em meio a preços menores de commodities e custos financeiros elevados, com Selic em dois dígitos. Historicamente, cada ponto percentual adicional de atraso força as instituições a direcionarem capital que poderia ser usado em novas concessões ou pagamento de dividendos.
Especialistas lembram que, em ciclos anteriores, a combinação de clima adverso e queda nas cotações de soja e milho resultou em retração de até 15% no volume de crédito rural disponibilizado. Se o movimento se repetir, produtores com caixa apertado podem enfrentar condições de financiamento mais duras já na próxima safra.
Como isso afeta o seu bolso? Menos crédito para o campo reduz oferta e pressiona preços de alimentos — o que pode respingar na inflação e na sua lista do supermercado. Para acompanhar análises diárias sobre risco e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil