Margens em alta e dívida menor sustentam projeções, mas risco segue no radar
Safra — O banco revisou suas estimativas para o Assaí (ASAI3) e vê potencial de alta de 16% nas ações em 12 meses, mesmo mantendo recomendação neutra diante do cenário competitivo mais duro.
- Em resumo: preço-alvo sobe de R$ 9,40 para R$ 10, projetando lucro maior e margens EBITDA de 6% a partir de 2026.
Por que o “upside” de 16% pode ficar no papel
Embora a elevação do preço-alvo pareça atraente, os analistas chamam atenção para o valuation de 13 vezes lucro esperado para 2026, patamar considerado exigente frente a pares do varejo alimentar, segundo levantamento da Valor Econômico. Concorrentes regionais agressivos e o bolso mais apertado das famílias podem limitar a capacidade de repasse de preços.
“O balanço entre números operacionais melhores e resultados financeiros marginalmente superiores deve levar a um aumento do lucro líquido frente às estimativas anteriores”, escreveram Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio.
Inflação de alimentos e renda pressionada reduzem fôlego de vendas
O Safra cortou a projeção de vendas nas mesmas lojas para 1,5% em 2026-2027, abaixo da inflação de alimentos estimada em 4,4%. Para efeito de comparação, o IPCA-Alimentos rodou em média 7,8% ao ano entre 2020 e 2022, conforme dados do IBGE. Essa defasagem indica possível perda de participação real de mercado caso o consumidor permaneça sensível a preço.
Ao mesmo tempo, a administração do Assaí trabalha na expansão da margem bruta e em cortes de despesas gerais. A relação dívida líquida/EBITDA deve recuar para 0,4 vez em 2026 e 0,2 vez em 2027, reforçando a tese de desalavancagem que pode liberar caixa para novas lojas ou renegociação de fornecedores.
Como isso afeta o seu bolso? Uma retomada mais lenta das vendas pode segurar a valorização dos papéis, enquanto margens melhores tendem a proteger resultados. Para mais análises de mercado e ações, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Safra