Sprint de números recordes esbarra em dúvidas sobre 2027 e concorrência
Ambev (ABEV3) – No balanço do 1T26, a cervejaria superou projeções, puxou as ações para cima e reabriu o debate sobre se o atual ritmo de margens e preços caberá no bolso do consumidor ao longo dos próximos trimestres.
- Em resumo: receita por hectolitro avançou 8% e o lucro projetado para 2026 subiu a R$ 15,5 bi, mas bancos mantiveram recomendação neutra.
Margem em alta e preço de tela “esticado”
Segundo relatório do Bradesco BBI, a companhia entregou “todos os vetores que o investidor buscava” – de volumes em leve alta a disciplina de SG&A. A leitura positiva provocou o rali de 15%. Porém, a casa calcula um P/L de 16,8 vezes para 2026, cerca de 25% acima dos pares globais, nível também mencionado em levantamento da Reuters.
“O 1T26 foi um grande impulsionador de confiança, mas ainda precisamos de mais visibilidade de crescimento de lucros no longo prazo para sustentar as avaliações”, escreveram analistas do JPMorgan.
O que pode virar o jogo nos próximos trimestres
Historicamente, a Ambev acelera reajustes antes de grandes eventos esportivos – a Copa do Mundo de 2026 deve manter o volume aquecido. O problema, dizem gestores, será 2027: custos de commodities tendem a recuperar força e o efeito-calendário some. Além disso, competidores como Heineken reforçam portfólio premium, segmento que mais contribuiu para a alta de receita da Ambev.
Como isso afeta o seu bolso? Se a companhia não sustentar ganho de participação, a pressão de preço pode voltar às gôndolas. Para entender outros movimentos que balançam a B3, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Ambev