Volatilidade eleitoral e petróleo caro travam avanço do índice
JPMorgan — Em relatório recente, o banco reiterou que o Brasil continua sendo a principal aposta na América Latina, mas avisou que novos aportes na Bolsa exigem paciência: a soma de incerteza política, cortes de juros mais lentos e barril de petróleo acima do conforto do mercado mantém o Ibovespa preso em torno dos 186 mil pontos.
- Em resumo: apesar da queda de 199 mil para 186 mil pontos, o banco não vê momento para “comprar o mergulho”.
Por que o sinal de alerta acendeu agora?
Os estrategistas lembram que o índice já devolveu parte do prêmio de risco obtido após o agravamento das tensões no Oriente Médio. A valorização recente do petróleo, que superou US$ 90 o barril segundo dados da Reuters, tende a segurar ações ligadas ao consumo doméstico e aumenta a cautela sobre a inflação.
“O mercado deve permanecer de lado enquanto o petróleo seguir subindo; resolução geopolítica destravaria a tomada de risco”, escreveu a equipe liderada por Emy Shayo.
Além do choque de energia, o calendário eleitoral impõe volatilidade típica dos seis meses que antecedem o pleito. Historicamente, o Ibovespa sofre com aumentos de prêmio de risco nesse período, fenômeno que se repete desde 2006. Por isso, o JPMorgan prefere uma bolsa “barbell”: de um lado, Petrobras e PRIO, favorecidas pelo petróleo; de outro, bancos e empresas sensíveis à Selic, que podem capturar ganho quando o ritmo de cortes acelerar.
Selic a 12,25% até 2026: impulso ou freio?
O banco projeta redução acumulada de 275 pontos-base na taxa básica, levando a Selic a aproximadamente 12,25% até o fim de 2026. Embora a recente alta de 8% do real favoreça o combate à inflação, o Banco Central do Brasil sinaliza que só avançará com cortes maiores se a ancoragem inflacionária permanecer firme.
Para investidores, a combinação de juro real elevado e prêmio de risco externo pode continuar alimentando entrada de capital estrangeiro na renda fixa, retardando a migração plena para a renda variável.
Como isso afeta o seu bolso? A postura de cautela sugere que estratégias defensivas — empresas com ROE acima do custo de capital, como Itaú, Vibra Energia e Intelbras — podem proteger a carteira enquanto o cenário não clareia. Para acompanhar análises diárias do mercado, confira nossa editoria de Mercado e Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / JPMorgan