Juros reais altos e câmbio favorável despertam atenção global
B3 – No primeiro trimestre de 2026, aportes externos em fundos imobiliários somaram R$ 53 bilhões, elevando a fatia estrangeira das negociações diárias de 17% para 24% e reacendendo o debate sobre liquidez e prêmios de risco no mercado de FIIs.
- Em resumo: HSRE11, TRXF11 e GARE11 concentraram o maior volume médio diário nas mesas internacionais.
HSRE11, TRXF11 e GARE11 viram porta de entrada
O HSRE11 registrou média de R$ 11,8 milhões por dia em ordens vindas do exterior, quase metade do seu giro total. Na sequência, TRXF11 e GARE11 também ganharam tração, mostrando que os investidores de fora buscam, sobretudo, liquidez e portfólios ancorados em contratos atípicos. De acordo com dados compilados pela Reuters, o movimento acompanha a caça global por rendimento real positivo em meio a juros ainda elevados no Brasil.
“Os ETFs podem ajudar, mas hoje funcionam mais como ponte do que como avenida. O mercado precisa de mais escala e profundidade para atrair fluxo internacional relevante”, avalia Marcelo Boragini, da Davos Investimentos.
Selic elevada amplia prêmio, mas liquidez segue no radar
Com a Selic a 14,75% e o real orbitando a faixa de R$ 5, o investidor estrangeiro enxerga rendimento anual líquido acima de 9% nos FIIs mais negociados — patamar difícil de encontrar em economias desenvolvidas. Historicamente, o IFIX ainda opera com desconto sobre o valor patrimonial, reforçando potencial de ganho adicional caso os spreads se fechem.
A experiência recente mostra, porém, que a liquidez é determinante. Em 2023, quando o giro diário médio dos FIIs ficou pouco acima de R$ 200 milhões, o fluxo estrangeiro permaneceu tímido. Agora, com volumes que ultrapassam R$ 300 milhões, a porta volta a se abrir, mas especialistas alertam que novos cortes na Selic e avanço das emissões 476 podem acelerar ou frear esse apetite.
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