Entenda por que o alívio na bomba pode virar rombo no orçamento público
Governo Federal – Recentemente, o Planalto confirmou um subsídio de até R$ 0,89 por litro de gasolina para conter a pressão da guerra no Irã sobre os combustíveis, medida que pode sugar até R$ 2,4 bilhões por mês dos cofres públicos.
- Em resumo: A conta anual do benefício equivale a quase 20% do orçamento do Bolsa Família previsto para 2026.
Por que o desconto talvez não chegue ao consumidor
Analistas lembram que a Petrobras sinalizou aumento imediato nas refinarias, já que hoje vende gasolina 44% abaixo da paridade internacional, segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
“Tem quatro anomalias: é um escândalo subsidiar gasolina, não reduz preço na bomba, usa dinheiro do contribuinte para proteger acionista da Petrobras e contradiz o país do etanol,” critica Adriano Pires, fundador do CBIE.
Pressão fiscal e lições do passado
Dados do Banco Central indicam que a dívida bruta brasileira já supera 75% do PIB, patamar que tende a subir se novas despesas permanentes não forem compensadas. Em 2015, política semelhante de controle artificial de preços quase quebrou a Petrobras, levando à criação de uma cláusula que obriga a União a ressarcir a estatal.
A proposta atual, vendida como “neutra” por causa da alta no petróleo e no recolhimento de royalties, reacende o debate: o contribuinte arca com o custo mesmo sem usar gasolina, enquanto o mercado de etanol – em expansão com a mistura de 30% para 32% – perde competitividade.
Como isso afeta o seu bolso? Caso o subsídio perca força ou seja revogado após as eleições, o repasse pode vir de uma só vez, pressionando inflação e juros. Para acompanhar outros desdobramentos da política energética, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil