Analistas preveem o trimestre mais fraco entre os bancões, com lucro abaixo do consenso
Banco do Brasil (BBAS3) – O balanço que será divulgado nesta quarta-feira (13) deve expor novo tombo no resultado, impactando diretamente a percepção de risco para quem carrega ou pretende comprar as ações do banco.
- Em resumo: provisões podem chegar a R$ 17,4 bilhões e empurrar o ROE para apenas 7,5%.
Pressão da carteira agro e crédito corporativo pesa nas margens
A deterioração do agronegócio, responsável por parte relevante da carteira do banco, continua gerando calotes e exigindo reforço de provisões. Segundo dados compilados pela Reuters, atrasos no segmento rural já superam a média histórica neste início de ano.
“A visibilidade de recuperação permanece limitada, e o valuation atual não se mostra atrativo frente ao histórico”, alertam analistas do BTG Pactual no relatório mais recente.
Além disso, a margem financeira deve cair -3% em relação ao 4T25, reflexo dos resultados mais fracos da tesouraria. O lucro antes dos impostos pode encolher -19% no trimestre e -53% em 12 meses, segundo projeções do Goldman Sachs.
Selic elevada e custo de capital desafiam rentabilidade
Mesmo com a trajetória de queda da Selic iniciada pelo Banco Central, a taxa permanece em dois dígitos, limitando o fôlego para expandir crédito com spreads confortáveis. Historicamente, cada ponto percentual de recuo na Selic melhora a margem de intermediação dos grandes bancos em cerca de 0,3 p.p., mas o benefício ainda deve demorar a aparecer na linha do Banco do Brasil.
O Itaú BBA estima lucro líquido de R$ 3,6 bilhões, queda anual de 45%, enquanto o BBI projeta R$ 3,8 bilhões, 12% abaixo do consenso. Para cumprir a meta anual de até R$ 26 bilhões, o banco terá de acelerar substancialmente os ganhos ao longo dos próximos trimestres.
Como isso afeta o seu bolso? Resultados mais fracos mantêm pressão sobre o preço das ações e podem adiar uma eventual distribuição extra de dividendos. Para mais detalhes sobre o cenário macro e corporativo, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS