Alerta sobre combustíveis coloca decisão do governo no radar do mercado
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – Em entrevista concedida recentemente, Aloizio Mercadante defendeu que o Estado atue para suavizar o impacto da alta internacional do petróleo sobre a economia brasileira, incluindo uma participação ativa da Petrobras no processo.
- Em resumo: Mercadante quer o governo amortecendo preços de gasolina e diesel enquanto mantém remuneração de acionistas da Petrobras.
Pressão do Brent amplia risco de inflação
Com o barril do Brent acima de US$ 80 desde meados de agosto, segundo dados da Reuters, analistas já calculam efeito direto sobre o IPCA. Hoje, combustíveis respondem por cerca de 6% do índice e funcionam como gatilho para revisões de expectativas.
“Estamos vivendo uma turbulência que o governo tem que mediar e proteger a produção, o emprego e o desenvolvimento. Esse é o papel do Estado e a Petrobras deve ajudar”, afirmou o presidente do BNDES.
Resiliência do pré-sal e gargalo no refino
Mercadante lembrou que a produção do pré-sal e o etanol oferecem colchão de receitas ao País. Ainda assim, criticou o modelo atual de refino – o Brasil exporta óleo bruto e importa derivados, prática que reduz a capacidade de segurar choques externos.
Desde 2016, a política de preços da Petrobras se baseia na paridade internacional (PPI); em 2018, o governo federal chegou a conceder subsídios temporários para evitar nova escalada nos postos. A discussão volta ao centro em 2023, quando a estatal revisou a metodologia para ganhar flexibilidade nos reajustes.
Como isso afeta o seu bolso? Qualquer intervenção que limite repasses pode segurar a inflação no curto prazo, mas gera debate sobre contas públicas e dividendos da estatal. Para entender outros movimentos de Brasília que influenciam seu poder de compra, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Valter Campanato / Agência Brasil