Recorde de capacidade promete mexer na oferta de combustíveis no país
Petrobras – A estatal revelou que, em abril e maio, suas 11 refinarias operaram com Fator de Utilização Total (FUT) entre 102% e 103%, superando o limite projetado dos ativos e elevando o debate sobre oferta interna e preços na bomba.
- Em resumo: produção além da capacidade nominal reforça caixa da companhia e reduz necessidade de importação de diesel e gasolina.
Carga além do projeto tem aval da ANP e de olho no câmbio
O diretor de Processos Industriais, William França, explicou que o FUT pode ultrapassar 100% porque a “carga de processamento fica levemente acima da referência instalada”, desde que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorize. Movimento semelhante ocorreu em 2014, quando o Brent subiu 30% no semestre, de acordo com dados compilados pela Reuters, reforçando a lógica de refinar mais para capturar preços altos.
“De ontem para hoje operamos com 103% nas nossas refinarias”, detalhou França, durante teleconferência com analistas.
Menos paradas, guerra no Oriente Médio e efeito no bolso do consumidor
A empresa atravessa 2026 com calendário enxuto de manutenções — reflexo dos serviços intensivos feitos em 2025. Com unidades mais confiáveis, a estatal elevou a produção de diesel S-10 em Abreu e Lima para 385 milhões de litros, novo pico histórico. O timing coincide com a escalada do conflito no Irã, que encareceu o barril e expandiu margens de refino.
No passado, o Brasil chegou a importar quase 25% do diesel consumido internamente. Se a Petrobras mantiver o FUT acima de 100%, essa dependência tende a cair, aliviando pressão cambial e volatilidade de preços. Porém, especialistas alertam que maior uso dos ativos também aumenta o risco de gargalos se surgir uma falha não programada.
Como isso afeta o seu bolso? Uma produção doméstica mais robusta pode suavizar repasses de alta internacional, mas volumes extras também podem ser exportados para maximizar lucro. Para acompanhar as próximas decisões da estatal e entender o impacto direto no seu tanque, acesse nossa editoria de Mercado e Ações.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil