Análise mostra impacto para dólar, ouro e liquidez global, segundo o gestor
Bridgewater Associates — Em entrevista recente, o megainvestidor Ray Dalio avaliou que a influência militar e política dos Estados Unidos está em declínio, sinal amarelo para quem acompanha câmbio, commodities e fluxo de capitais.
- Em resumo: Dalio vê risco de que investidores busquem liquidez e diversificação — inclusive em ouro — diante da perda de confiabilidade dos EUA.
Perda de peso militar pressiona ativos atrelados ao dólar
Apesar de manter cerca de 750 instalações militares em 80 países, Washington já não é percebido como o “escudo” de outras nações, relata Dalio após um mês de conversas na Ásia. O ceticismo mina a convicção de que os EUA apoiariam aliados em conflitos, o que fragiliza o apetite por ativos em dólar, aponta levantamento da Bloomberg.
“Neste momento, essa percepção está mudando. Muitos governos acreditam que não se pode contar com os Estados Unidos para travar essa guerra”, destacou o gestor.
China preenche o vácuo e reforça polo de atração econômica
Nesse intervalo, a economia chinesa já alcança 60% a 70% do tamanho da norte-americana — triplo do registrado há duas décadas. O movimento é corroborado por visitas de chefes de Estado a Pequim e pela busca de acordos comerciais que contornem o dólar. Segundo dados do FMI, o yuan participa hoje de 2,8% das reservas globais, ante menos de 1% em 2016.
Dalio ressalta que, ainda que Pequim não pretenda ocupar territórios, o reconhecimento de seu poder se converte em ganhos de comércio e status. Para o investidor, o cenário exige carteiras mais líquidas e protegidas por ativos reais como o ouro, que já acumula alta de dois dígitos neste ano.
Como isso afeta o seu bolso? Num ambiente de oscilação cambial e rearranjo geopolítico, quem guarda reservas em dólar ou tem exposição a empresas dependentes de exportações americanas deve rever o nível de diversificação. Para acompanhar outras análises sobre riscos globais, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg