Juros de dois dígitos mantêm o real entre as apostas globais mais lucrativas
Bloomberg – A recente escalada dos preços do petróleo e a expectativa de juros elevados por mais tempo reacenderam a disputa por operações de carry trade, colocando o real brasileiro e o rand sul-africano nas primeiras posições do ranking de ganhos.
- Em resumo: empréstimo em moedas de baixo rendimento e aplicação em real já gerou retorno de 6,6% desde o fim de fevereiro.
Por que o real voltou ao radar dos gestores
De acordo com dados da Bloomberg, o índice que acompanha oito divisas emergentes com juros generosos avançou mais de 3% desde março, impulsionado pelo diferencial de taxas em relação a iene, franco suíço e yuan.
“O carry trade em mercados emergentes será impulsionado por taxas de juros reais elevadas por um período prolongado, combatendo as expectativas incipientes de inflação”, destacou Jason Devito, gestor da Federated Hermes.
No caso brasileiro, a taxa Selic em dois dígitos combinada à inflação moderada garante prêmio real positivo, enquanto o balanço externo favorecido pelas exportações de commodities oferece colchão adicional contra choques.
Volatilidade contida e efeito petróleo: a combinação perfeita
O indicador de volatilidade cambial de um mês do JPMorgan recuou para 6,88%, o menor patamar desde março. Para o investidor em carry, menos oscilação significa menor risco de que uma reversão brusca elimine o ganho obtido no juro.
Historicamente, sempre que esse índice opera abaixo de 7%, a estratégia entrega retornos acima da média nos seis meses seguintes. Em 2022, por exemplo, combinações envolvendo o real já haviam sido destaque após a sequência de altas da Selic.
Como isso afeta o seu bolso? A manutenção de juros elevados sustenta o rendimento de títulos pós-fixados e fundos cambiais atrelados ao real. Para entender outras oportunidades que surfam esse cenário, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Bloomberg