Negócio bilionário pressiona Cade e expõe disputa por minerais estratégicos
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) — A autarquia instaurou procedimento para checar se a compra de 100% da produção da mina de Minaçu (GO) pela norte-americana USA Rare Earth, avaliada em US$ 2,8 bilhões, fere as regras de concentração e notificação prévia.
- Em resumo: Cade pode obrigar as empresas a refazer etapas do acordo ou até aplicar multas caso detecte irregularidades.
Por que a operação chamou atenção do regulador?
O negócio prevê integrar extração, separação e fabricação de ímãs permanentes fora da Ásia, região que detém mais de 90% do mercado global de terras raras, segundo a Reuters. Para o Cade, essa verticalização pode alterar preços e disponibilidade do insumo no mercado interno.
“A abertura do APAC não significa necessariamente que haja problemas concorrenciais. A apuração pode terminar em arquivamento, homologação ou abertura de processo”, informou o órgão antitruste.
Impacto econômico: de Goiás ao mercado global de tecnologia limpa
Se confirmado, o acordo adiciona 6,4 mil toneladas anuais à oferta mundial de óxidos de terras raras até 2027, volume suficiente para suprir parte da demanda de veículos elétricos e turbinas eólicas. Atualmente, a China responde por cerca de 70% da produção e 90% do refino, o que deixa a cadeia vulnerável a choques geopolíticos.
O contrato de 15 anos com preços mínimos reduz a volatilidade de receita da Serra Verde e pode atrair capital para novas fases de expansão. Por outro lado, a ação movida no STF e as críticas do Ministério do Desenvolvimento alertam que minerais estratégicos pertencem à União, o que pode atrasar a materialização dos ganhos.
Como isso afeta o seu bolso? Eventual restrição do Cade ou do STF pode limitar oferta doméstica e pressionar custos de indústrias dependentes dos ímãs, repassando preços ao consumidor. Para acompanhar desdobramentos regulatórios, acesse nossa editoria de Economia e Política.
Crédito da imagem: Divulgação / Serra Verde