Decisão do Cade pode redefinir a rota brasileira de terras-raras
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) – A Superintendência-Geral abriu procedimento administrativo para saber se o pacto entre a mineira Serra Verde Pesquisa e Mineração S.A. e a norte-americana USA Rare Earth, Inc. configura ato de concentração que exija aprovação formal, movimentando um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões.
- Em resumo: Cade avalia se a joint venture que cobre da extração ao ímã final precisará de notificação obrigatória – ponto crucial para destravar (ou travar) investimentos.
Joint venture alcança toda a cadeia de ímãs magnéticos
Pelo acordo, a nova multinacional atuará no Brasil, EUA, França e Reino Unido, integrando extração, separação, metalização e fabricação de ímãs de terras-raras. Conforme dados da Reuters, a demanda global por neodímio e praseodímio deve dobrar até 2030, impulsionada por veículos elétricos e turbinas eólicas.
O negócio prevê fornecimento exclusivo de 100% da produção da Fase I da Serra Verde a uma SPV capitalizada por agências do governo dos EUA, com preços mínimos garantidos por 15 anos.
O que está em jogo para concorrência e para o investidor
Se o Cade entender que há ato de concentração, a operação só poderá avançar após análise de possíveis efeitos nos mercados de mineração e tecnologia magnética. Esse passo decide se haverá arquivamento, aprovação simples ou abertura de processo – etapa que costuma alongar prazos e elevar custos regulatórios.
Nos bastidores, investidores monitoram a movimentação porque o Brasil detém uma das maiores reservas de terras-raras fora da Ásia, mas ainda carece de capacidade industrial para capturar valor adicionado. Desde 2010, o índice de preços desses metais acumula alta de quase 300%, refletindo a escassez de fornecedores fora da China.
Como isso afeta o seu bolso? A eventual aprovação acelera a chegada de uma cadeia local de ímãs, podendo reduzir a dependência cambial de importações em setores como autopeças e energia renovável. Já um veto prolongaria gargalos e deixaria o país fora do boom global. Para mais detalhes sobre mercados e ações, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Senado