IGP-M é o Índice Geral de Preços do Mercado, um indicador de inflação calculado todo mês pela Fundação Getulio Vargas que acompanha a variação de preços desde as matérias-primas no atacado até os produtos e serviços que chegam ao consumidor. Ele ficou conhecido como a inflação do aluguel, porque durante décadas foi o índice padrão para reajustar contratos de locação. Diferente do IPCA, que olha só para o bolso das famílias, o IGP-M capta também o que acontece na indústria, no agronegócio e na construção civil.
A seguir você vê como o índice é composto, por que ele costuma oscilar bem mais que a inflação oficial, onde ele aparece no dia a dia e o que observar antes de aceitar um contrato corrigido por ele.
O que é o IGP-M e quem calcula
O IGP-M é produzido pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV, uma instituição privada, e existe desde o fim dos anos 1980. Ele nasceu para oferecer ao mercado financeiro um índice de preços abrangente e independente do governo, em uma época de inflação muito alta e desconfiança sobre os números oficiais.
A coleta de preços vai do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência, e o resultado sai ainda dentro do próprio mês. Essa rapidez é uma das razões da sua popularidade em contratos: no início do mês seguinte, o número já está disponível para aplicar o reajuste.
Os três índices que formam o IGP-M
O IGP-M não mede uma coisa só. Ele é a média ponderada de três outros índices, cada um olhando para uma etapa da economia.
| Componente | Peso | O que mede |
|---|---|---|
| IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) | 60% | Preços no atacado: produtos agrícolas e industriais |
| IPC (Índice de Preços ao Consumidor) | 30% | Preços no varejo para as famílias |
| INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) | 10% | Materiais e mão de obra da construção civil |
O ponto central está no peso de 60% dos preços no atacado. É ali que entram soja, milho, minério de ferro, petróleo, aço e outras commodities, produtos cotados em dólar e negociados no mercado internacional. Qualquer movimento forte nesses preços ou no câmbio aparece rapidamente no IGP-M.
IGP-M e IPCA: por que os números são tão diferentes

O IPCA, calculado pelo IBGE, é o índice oficial de inflação e mede apenas os preços ao consumidor. O IGP-M tem composição bem diferente, e por isso os dois podem se distanciar muito. Em períodos de dólar em alta e commodities valorizadas, o IGP-M dispara enquanto o IPCA sobe de forma mais contida. O exemplo mais lembrado é o de 2020, quando o IGP-M acumulou mais de 20% no ano e o IPCA ficou perto de 4,5%.
O movimento contrário também acontece. Quando o dólar recua e as matérias-primas caem, o IGP-M pode ficar negativo por vários meses, registrando deflação, mesmo com os preços ao consumidor ainda subindo. Em resumo, o IGP-M é mais volátil, e essa característica vem diretamente da sua sensibilidade ao câmbio e aos preços internacionais.
Onde o IGP-M aparece no seu dia a dia
O uso mais conhecido é o reajuste anual de aluguéis. A lei não obriga a adoção de um índice específico: as partes escolhem livremente, e o IGP-M se tornou o padrão por costume. Depois do salto de 2020 e 2021, que levou a reajustes muito acima da renda dos inquilinos, muitos contratos novos passaram a adotar o IPCA, e renegociações se tornaram comuns.
O índice também corrige outros contratos e preços:
- Mensalidades de alguns planos e serviços com cláusula de reajuste anual.
- Tarifas de energia elétrica e outros serviços regulados, em parte da fórmula.
- Contratos de prestação de serviços entre empresas.
- Alguns títulos de renda fixa e contratos de aluguel de imóveis comerciais, que afetam a receita de fundos imobiliários de tijolo.
O que observar em um contrato corrigido pelo IGP-M
Antes de assinar, vale entender que o IGP-M não acompanha necessariamente o seu custo de vida nem a evolução do seu salário. Ele pode subir muito em um ano em que a sua renda ficou parada. Se o contrato é de longo prazo e pesa no orçamento, como o aluguel, negociar o IPCA ou um teto para o reajuste costuma trazer mais previsibilidade.
Outro ponto: quando o índice acumulado em doze meses é negativo, o contrato pode prever redução do valor, mas muitos trazem cláusula que impede o reajuste para baixo. Leia essa parte com atenção. E, se o reajuste chegar muito acima do que cabe no bolso, conversar com o proprietário antes do vencimento geralmente funciona melhor do que esperar o boleto novo. Para o investidor, comparar o rendimento de uma aplicação com a inflação é o que revela os juros reais, e a escolha do índice muda bastante o resultado dessa conta.
Perguntas frequentes sobre o IGP-M

O que significa a sigla IGP-M?
Índice Geral de Preços do Mercado. É um índice de inflação calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas, formado pela combinação de preços no atacado, ao consumidor e da construção civil.
Por que o IGP-M é chamado de inflação do aluguel?
Porque foi, por muitos anos, o índice mais usado para reajustar contratos de locação no Brasil. A escolha é feita em contrato e não é obrigatória por lei, tanto que muitos acordos recentes adotam o IPCA.
O aluguel pode diminuir se o IGP-M for negativo?
Depende do que o contrato diz. Se a cláusula prevê correção pela variação do índice, positiva ou negativa, o valor pode cair. Muitos contratos, porém, estabelecem que o reajuste só se aplica quando o índice é positivo.
Qual a diferença entre IGP-M e IPCA?
O IPCA é o índice oficial, calculado pelo IBGE, e mede só os preços ao consumidor. O IGP-M é calculado pela FGV e dá peso de 60% aos preços no atacado, o que o torna mais sensível ao dólar e às commodities e, por isso, mais volátil.
Como acompanhar o IGP-M sem sustos
O IGP-M é um bom termômetro das pressões de custo que vêm do atacado e do câmbio, mas um indexador imprevisível para contratos que pesam no orçamento familiar. Saber que 60% dele dependem de matérias-primas explica por que o índice pode subir muito além da inflação oficial em alguns anos e ficar negativo em outros. Se você tem um contrato atrelado a ele, acompanhe o acumulado em doze meses nos meses anteriores ao aniversário do reajuste e negocie com antecedência quando o número fugir do razoável. Os resultados mensais e a metodologia são publicados pelo FGV IBRE, o instituto responsável pelo índice. Entender o que move o IGP-M transforma o reajuste anual de uma surpresa em algo que dá para antecipar.
Conteúdo informativo e educacional. Consulte o seu contrato e, em caso de dúvida, procure orientação especializada.