Come-cotas é a cobrança antecipada do Imposto de Renda que acontece duas vezes por ano em alguns fundos de investimento, reduzindo automaticamente o número de cotas do investidor nos últimos dias úteis de maio e de novembro. O nome é literal: o imposto come uma parte das suas cotas antes mesmo de você resgatar o dinheiro. Você não paga nada do bolso, mas fica com menos cotas rendendo. E é aí que mora o efeito sobre o seu bolso no longo prazo.

Muita gente descobre o come-cotas quando estranha uma pequena queda no número de cotas do extrato em maio ou novembro e pensa que perdeu dinheiro. Não perdeu por erro: foi o Leão adiantando a mordida. Entender como isso funciona ajuda a escolher onde deixar o dinheiro, porque nem todo investimento sofre essa cobrança.

Neste guia você vai ver o que é o come-cotas, como e quando ele é cobrado, quais são as alíquotas definidas pela Receita Federal, quais investimentos ficam livres dele e por que ele mexe com o seu rendimento ao longo do tempo.

O que é come-cotas

Come-cotas é o apelido da antecipação semestral do Imposto de Renda sobre os rendimentos de determinados fundos de investimento. Em vez de esperar você resgatar para cobrar o imposto, a Receita adianta parte dele duas vezes por ano. Para fazer isso sem tirar dinheiro da sua conta, o sistema abate o valor devido em cotas: você continua com o mesmo dinheiro proporcional, mas com uma quantidade menor de cotas.

É importante entender que o come-cotas não é um imposto a mais. Ele é uma parte do imposto que você pagaria de qualquer jeito, só que cobrada antes. No resgate final, a Receita apenas completa a diferença que faltava, de acordo com o tempo que você ficou investido.

Como funciona o come-cotas e quando ele é cobrado

A cobrança acontece sempre nos últimos dias úteis de maio e de novembro. Em 2026, por exemplo, as datas são 29 de maio e 30 de novembro. Nesses dias, o administrador do fundo calcula o imposto sobre o rendimento acumulado e reduz o número de cotas de cada investidor para quitar essa antecipação.

Cobrança do come-cotas em 2026Data
1º semestre29 de maio de 2026
2º semestre30 de novembro de 2026
O come-cotas é recolhido no último dia útil de maio e de novembro de cada ano.

A alíquota aplicada no come-cotas é sempre a menor da tabela: 15% para fundos de longo prazo, cuja carteira tem prazo médio superior a um ano, e 20% para fundos de curto prazo, com prazo médio de até um ano. Se, no resgate, você tiver ficado pouco tempo investido, a Receita cobra o restante para chegar à alíquota correta da tabela regressiva.

As alíquotas e a tabela regressiva

Calculadora, moedas empilhadas e um documento financeiro sobre a mesa

Nos fundos sujeitos ao come-cotas, o Imposto de Renda segue a tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, menor a alíquota final. O come-cotas adianta a fatia mínima, e o acerto final acontece no resgate.

Tempo de aplicaçãoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%
Tabela regressiva do IR. O come-cotas antecipa 15% ou 20%; o restante é acertado no resgate.

Quais investimentos têm come-cotas e quais são isentos

Essa talvez seja a parte mais útil, porque ela influencia a escolha do produto. O come-cotas atinge os fundos abertos de renda fixa, multimercado e cambiais. Uma boa parte dos investimentos populares, porém, fica de fora.

É por isso que produtos sem come-cotas ganharam tanta atenção. O ETF de renda fixa, por exemplo, entrega exposição a uma cesta de títulos sem a mordida semestral, o que ajuda o dinheiro a render por mais tempo antes de o imposto entrar. Não é mágica, é apenas o efeito de adiar a conta.

Por que o come-cotas reduz o seu rendimento

O imposto a pagar é o mesmo. O que muda é o momento. Ao antecipar parte do IR duas vezes por ano, o come-cotas tira cotas que continuariam rendendo. Com menos cotas trabalhando, o efeito dos juros compostos perde um pouco de força ao longo dos anos. Em prazos curtos, a diferença é pequena. Em uma década, ela aparece.

Isso não faz do come-cotas um vilão, nem transforma todo fundo em má escolha. Um bom fundo de renda fixa pode compensar de sobra essa antecipação. A questão é ter consciência do custo e comparar. Para objetivos de prazo muito longo, evitar a mordida semestral costuma pesar a favor de produtos isentos. Na hora de declarar seus investimentos no Imposto de Renda, o come-cotas já aparece descontado, o que simplifica a vida.

O tema no Giro da Bolsa

A vantagem de produtos sem come-cotas apareceu no programa Giro da Bolsa, do canal Investidor Sardinha (Raul Sena), ao comentar o avanço dos fundos de índice de renda fixa, que não sofrem essa cobrança semestral. Vale como referência sobre o momento do mercado. Crédito e recomendação ao canal.

Perguntas frequentes sobre come-cotas

O que é come-cotas em palavras simples?

Pote de vidro cheio de moedas ao lado de uma calculadora e um documento

É a cobrança antecipada do Imposto de Renda em alguns fundos, feita duas vezes por ano. Em vez de tirar dinheiro da sua conta, o sistema reduz o número de cotas que você tem para quitar essa parte do imposto.

Quando o come-cotas é cobrado?

Nos últimos dias úteis de maio e de novembro de cada ano. Em 2026, as datas são 29 de maio e 30 de novembro.

CDB tem come-cotas?

Não. O CDB, assim como Tesouro Direto, LCI e LCA, é uma aplicação direta e não sofre come-cotas. O imposto, quando há, é cobrado apenas no momento do resgate.

Fundo de ações tem come-cotas?

Não. Fundos de ações, fundos imobiliários e ETFs são isentos do come-cotas. Nos fundos de ações, o imposto é cobrado só no resgate, com alíquota de 15% sobre o ganho.

O come-cotas faz eu perder dinheiro?

Você não paga imposto a mais por causa dele. O valor total é o mesmo, só é cobrado antes. O efeito é indireto: com menos cotas rendendo ao longo do tempo, os juros compostos trabalham um pouco menos, o que pesa mais em prazos longos.

Come-cotas no lugar certo da sua estratégia

Saber onde há e onde não há come-cotas é uma daquelas informações que rendem dinheiro no silêncio. Não se trata de fugir de todo fundo que tem a cobrança, e sim de encaixar cada produto no objetivo certo: prazos longos combinam com aplicações isentas, que deixam o rendimento correr solto por mais tempo, enquanto um bom fundo tributado ainda pode fazer sentido pela gestão e pela estratégia. O imposto é parte da conta, não o fim dela. Quem entende a mecânica escolhe melhor, e paga o justo, no momento certo.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Avalie seus objetivos e, se precisar, procure um profissional certificado.