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Investimentos Inteligentes

CRI e CRA: como funcionam, rendimento e quando entram na sua carteira

capitalrico
Última atualização: 19/07/2026 11:55 pm
Redação Capital Rico
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Certificado de renda fixa CRI ou CRA impresso ao lado de moedas de real, calculadora e caderno de anotacoes
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Toda vez que você lê sobre “renda fixa isenta de IR”, vê três siglas se repetindo: LCI, LCA e — as menos conhecidas — CRI e CRA. As duas primeiras vêm de banco. As duas últimas vêm direto de empresas do setor imobiliário e do agronegócio, sem intermediário bancário. E rendem, geralmente, mais.

Índice de Conteúdos
  • Como funciona a estrutura por trás
  • Rendimento: quanto CRI/CRA paga na prática
  • O risco que a LCI/LCA não tem
  • Como CRI/CRA se compara com LCI/LCA e CDB
  • Onde e como comprar
  • Cuidados que evitam surpresa
  • Perguntas rápidas sobre CRI e CRA
    • Preciso declarar CRI/CRA no IR?
    • CRI e CRA têm liquidez diária?
    • O que acontece se a empresa quebrar?
    • Vale a pena CRI/CRA na minha carteira?
  • Vale a pena investir em CRI e CRA hoje

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) são títulos de renda fixa emitidos por securitizadoras, lastreados em créditos dos setores imobiliário e agronegócio. São isentos de Imposto de Renda pra pessoa física, oferecem rendimento maior que LCI/LCA equivalentes, mas NÃO têm garantia do FGC — o risco fica no crédito da empresa emissora.

Aí está o trade-off central. Você abre mão da garantia do FGC (que cobre até R$ 250 mil no caso de LCI, LCA e CDB) e, em troca, recebe um rendimento mais gordo. Pra quem já tem colchão de emergência e entende risco de crédito, é uma peça útil na carteira. Pra quem começou anteontem, pode não ser a primeira parada.

Como funciona a estrutura por trás

Imagine uma construtora que vendeu 200 apartamentos parcelados em 60 meses. Ela tem um enorme fluxo de recebíveis futuros nas mãos, mas quer dinheiro AGORA pra tocar a próxima obra. Em vez de esperar 5 anos, ela vende esse fluxo a uma securitizadora.

A securitizadora empacota esses recebíveis num título — o CRI — e vende ao mercado. Você compra uma fatia desse CRI e passa a receber, ao longo do tempo, os pagamentos que os compradores dos apartamentos vão fazendo. Rendimento certo, prazo definido, risco = calote dos apartamentos.

CRA funciona exatamente igual, mas com recebíveis do agronegócio — pagamentos futuros de fazendeiros, cooperativas, tradings. A mecânica é idêntica; muda o setor da economia que gera os créditos.

Rendimento: quanto CRI/CRA paga na prática

Três formatos aparecem, muito parecido com LCI/LCA:

  • Pós-fixado: um percentual do CDI (95% do CDI é comum, 100% e 105% aparecem em emissões maiores).
  • Prefixado: taxa fixa contratada na compra (12% a 14% ao ano em ciclos de Selic alta).
  • Híbrido (IPCA+): paga IPCA + taxa real fixa (comum: IPCA + 7% a IPCA + 9% ao ano).

Como referência simples: CRI/CRA de um emissor sólido em 2025 tende a pagar 15-25% a mais que uma LCI/LCA equivalente. Se a LCI paga 92% do CDI, o CRI de risco parecido paga uns 105-115% do CDI. Nas emissões prefixadas, chega a ser 2-3 pontos percentuais de diferença ao ano.

O risco que a LCI/LCA não tem

Aqui mora o motivo do rendimento maior. CRI e CRA não têm garantia do FGC — o Fundo Garantidor de Créditos que cobre até R$ 250 mil em CDB, LCI e LCA. Se a empresa que emitiu o crédito quebra, você depende do processo de recuperação do crédito (que pode demorar anos e recuperar frações do valor).

Isso não significa que CRI/CRA são inseguros — significa que o risco depende do emissor. Um CRI lastreado em recebíveis de uma incorporadora AAA tem risco baixíssimo; um CRA de uma cooperativa pequena tem risco mais alto. Antes de comprar, olhe o rating da agência classificadora (Moody’s, Fitch, S&P). Rating AAA a AA é bom; A é ok; BBB pra baixo, cautela. Detalhes semelhantes de análise valem pra LCI e LCA — que têm outra estrutura mas exigem também escolha consciente.

Como CRI/CRA se compara com LCI/LCA e CDB

ProdutoIR pra PFGarantia FGCRendimento típicoPrazo mínimo
CDB comum15%-22,5%Sim (até R$ 250 mil)100%-115% CDISem prazo mín.
LCI / LCAIsentoSim (até R$ 250 mil)85%-100% CDI9 meses
CRI / CRAIsentoNÃO100%-120% CDI1-6 anos
Debênture comum15%-22,5%NãoIPCA + 6-8%Variado
Debênture incentivadaIsentoNãoIPCA + 6-8%5-10 anos
Dois titulos de renda fixa lado a lado com post-its identificando setor imobiliario e agronegocio simbolizando CRI e CRA
CRI vem do imobiliario, CRA vem do agronegocio; os dois pagam isento de IR mas nao tem garantia do FGC.

A comparação prática fica interessante: um CRI de 110% do CDI isento rende, líquido, mais que um CDB de 115% do CDI (que paga 15% de IR sobre o lucro). O diferencial vem justamente da isenção somada ao spread de risco.

Onde e como comprar

CRI e CRA não são vendidos em app de banco tradicional. Você precisa de conta em corretora que trabalhe com renda fixa privada — praticamente qualquer corretora grande hoje oferece.

Passo a passo:

  1. Abra conta em uma corretora com aba “renda fixa” ou “mercado secundário”.
  2. Filtre por CRI/CRA. Veja rendimento, prazo, emissor e rating.
  3. Cheque o valor mínimo de investimento (costuma ser R$ 1.000 a R$ 5.000 por título, mas alguns exigem R$ 10 mil+).
  4. Compre e receba o título na sua conta CETIP.
  5. Guarde o vencimento na agenda — nesse dia o dinheiro cai automaticamente com correção.

Alguns CRI/CRA pagam juros semestrais (“cupom”) — você recebe uma renda periódica além do principal no final. Outros são “bullet”, com pagamento tudo no vencimento. Escolha conforme sua necessidade de fluxo de caixa.

Cuidados que evitam surpresa

  • Diversifique emissores. Nunca coloque tudo num único CRI. Espalhe por 3-5 emissões e setores diferentes.
  • Confira o rating. Rating menor = juros maior, mas risco maior. Rating alto (AAA-AA) é ponto de partida seguro.
  • Atenção ao prazo. CRI/CRA costumam ter prazo longo (3-6 anos) sem liquidez diária. Só compre com dinheiro que pode esperar.
  • Leia o prospecto. A securitizadora publica um documento com toda estrutura, garantias, cláusulas de vencimento antecipado. Ler as primeiras 15 páginas evita 90% das surpresas.

Perguntas rápidas sobre CRI e CRA

Preciso declarar CRI/CRA no IR?

Sim, precisa declarar como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, mesmo sem pagar imposto sobre o rendimento. O saldo do título em 31/12 entra em Bens e Direitos. A securitizadora envia o informe todo ano.

CRI e CRA têm liquidez diária?

Praticamente nunca. O padrão é segurar até o vencimento. Existe mercado secundário (você pode vender antes), mas o preço pode estar abaixo do original em ciclos de alta de juros. Compre com dinheiro que aceita o prazo.

O que acontece se a empresa quebrar?

Você entra na fila de credores da massa falida. Como CRI/CRA são lastreados em recebíveis específicos (com garantia real sobre eles), a recuperação costuma ser melhor que dívida quirografária comum — mas pode demorar anos e recuperar apenas parte.

Vale a pena CRI/CRA na minha carteira?

Vale se você já tem reserva de emergência constituída em Tesouro Selic, já explorou CDB e LCI/LCA, e tem apetite pra risco de crédito em troca de rendimento maior. Como complemento — não como base — de uma carteira de renda fixa, faz muito sentido.

Vale a pena investir em CRI e CRA hoje

Vale, com uma ressalva importante: quando você já entendeu bem os riscos e não vai precisar do dinheiro no meio do caminho. Em ciclos de Selic alta, os rendimentos ficam com dois dígitos líquidos — combinação difícil de bater em qualquer outra classe de renda fixa. Em ciclos de Selic baixa, o produto continua bom, mas o diferencial fica menor.

A regra prática que salva quem começa: 60% da renda fixa em produtos com FGC (Tesouro Selic, CDB, LCI/LCA), 40% em produtos sem FGC (CRI, CRA, debêntures) — só depois de já ter reserva e clareza sobre o resto. Junto com dividendos e fundos imobiliários, formam a base de uma carteira que gera renda passiva mensal com risco controlado e IR baixo ou zero. É esse o sistema que sustenta o investidor de longo prazo no Brasil.

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