Cenário de juros elevados e tensão geopolítica pressiona crédito
Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander — No primeiro trimestre, os quatro gigantes reservaram R$ 44,8 bilhões para perdas esperadas, alta de 33% sobre 2025, refletindo Selic ainda a 15% e o choque do petróleo após o conflito no Oriente Médio.
- Em resumo: custo de crédito dispara e indica ciclo de aperto mais longo para empresas e famílias.
Agronegócio e varejo pesam na inadimplência
O movimento foi mais profundo no Banco do Brasil, cujo custo de crédito saltou 86%, especialmente após a carteira rural atingir inadimplência de 6,22%. Entre os privados, o Santander viu a taxa passar a 3,3%, enquanto o Itaú manteve 1,9%, mas já alerta para micro e pequenas empresas. Dados recentes do Banco Central mostram inadimplência total de 4,3% no país.
“Estamos em momento de inflexão do ciclo, com o efeito atrasado da política monetária”, observa Nícolas Merola, da EQI Research.
O que o reforço de R$ 45 bi sinaliza para 2025
A norma CMN 4.966, que antecipa perdas esperadas, já vinha puxando as provisões, mas a combinação de crédito caro e crescimento lento amplia o colchão exigido pelos bancos. Historicamente, saltos dessa magnitude antecederam retração no volume de empréstimos: em 2016, por exemplo, o custo de crédito havia subido 28% antes de o saldo total encolher 3% no ano seguinte.
Além disso, o novo Desenrola, focado em dívidas de até R$ 15 mil, pode aliviar apenas a margem dos grandes bancos. Para analistas do Citi, a pressão deve permanecer, pois o consumo das famílias está 30% acima da renda disponível, fator que tende a manter a inadimplência elevada mesmo com possíveis cortes graduais na Selic.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil